Nome: Edson Dias Pereira
Comentário e Aplicação diaconia, texto Mc. 10.35-45
O evangelho de Marcos foi o primeiro evangelho a ser escrito segundo estudiosos. Esta obra foi escrita num contexto em que os cristãos estavam passando por um período de perseguição. Roma a potência da época “abrigava” muitos cristãos e muitos desses eram levados ao martírio. Marcos direciona sua obra exatamente para esses cristãos por volta do ano 67 d.C. como um incentivo a fé cristã.
O texto escolhido (Mc.10.35-45) é interessante pelo fato dele falar exatamente do serviço, pois quando Marcos escreve seu evangelho a idéia dos crentes era de que Jesus viria e estabeleceria seu reinado Messiânico na terra de uma vez por todas e assim ficariam livres do jugo de Roma. Porém estavam totalmente enganados porque Jesus veio não para estabelecer um reino terreno (político), mas um reino celeste (espiritual). Ou seja, Cristo veio para fazer não a sua vontade e sim a vontade do Pai que está nos céus (Jo.5.30-b).
Segundo Rodolfo esse texto é um grande exemplo da diaconia cristã, um termo que exemplifica o serviço dos escravos ou das mulheres na época. No original é diakoneín, que quer dizer “servir à mesa”. É bom lembrar “que essa palavra era profana nos dias de Jesus”. Para os gregos tinha um sentido negativo, pois servir era função exclusivamente para escravo ou mulher e era sinal de humilhação. Portanto um homem que quisesse ser honrado não podia ser servo e sim servido.
Como frisa Rodolfo, no Antigo Testamento vemos o oposto dessa idéia negativa de servir o próximo, os mandamentos ensinavam claramente que o judeu deveria amar com a proposta de servir o próximo (Dt.10.19). Contudo nos dias de Jesus esse conceito positivo de serviço ao próximo (amor) foi corrompido e passou a ser visto negativamente.
O texto de Marcos 10.35-45 mostra-nos exatamente a preocupação de Tiago e João de ambicionarem ser honrados por Jesus. Os dois provavelmente tinham em mente que Cristo estabeleceria seu reino, ou seja, ocuparia o trono de Israel e queriam se assentar ao lado de Cristo quando isso acontecesse (v.37). Porém estavam distantes do pensamento de Jesus, pois esse tinha em mente o caminho do serviço e não do poder político ou do sistema dominante da época.
A proposta de Cristo a eles foi totalmente o inverso do que pensavam. Ao invés de honrarias e privilégios, uma vida de serviço (diaconia) e humilhação. Jesus da o exemplo de como funciona o sistema mundano, opressor. Entre os seus seguidores não deveria ser assim, mas o que quisesse ser grande que fosse pequeno (servo).
Aplicação
A princípio o verbo servir pode soar um tom insignificante. Na cozinha, na visita, na faxina, no púlpito, na oferta, no louvor em fim o que fizermos para o Reino estamos servindo. A diaconia no judaísmo contemporâneo de Jesus teve seu início com as mulheres que eram desprezadas na sociedade, porém Cristo trouxe de volta a importância dessa prática pelos também seus discípulos. Ou seja, Cristo além de elevar a diaconia exalta também a mulher.
Ele enalteceu grandemente o servo. Deu exemplo disso se fazendo maldito por nós na cruz o que era sinal de humilhação. É o servo sofredor de quem Isaías fez menção (Is. 52.13-15). Para nós fica a lição, o Reino não é lugar de pop star nem de adquirir status. Muito pelo contrário o Reino de Deus é lugar de pessoas que servem o próximo, que doam sua vida em prol de outras. Não se importa de ser o ultimo para ele isso é ser o primeiro.
Precisamos resgatar a essência do termo “diakoneín” em nossos dias. Para muitos o fato de servir ainda é humilhação embora a idéia de servir não seja pelo fato de aparecer, pois o servo não tem que aparecer, mas servir. Se convidado para testemunhar da sua fé diz: “não vou, pois, estarei me expondo ao ridículo”. Recolher a oferta do culto então, nem pensar! Ir para cozinha, jamais! O Senhor infelizmente não pôde contar com seus discípulos na trajetória da cruz exceto de longe, talvez, como fosse o caso de Pedro. Mas aquelas que realmente praticaram a diaconia o seguiram até o ultimo momento e mesmo depois. Isso Cristo espera dos seus discípulos. Não importando o perigo as circunstâncias entregam seu caminho a ele.
Diferente do sistema que impera o mundo, do poder e do dinheiro devemos ser servos sem nada querer em troca. Cristo foi e sempre será nosso modelo de servo, pois ele mesmo abriu mão de todos os seus privilégios para ser diácono num mundo decaído (Fl. 2.3-9). Nas palavras de Rodolfo “O estudo de Mc 10.35-45 serviu, por fim, para perceber que a comunidade só pode ousar assumir a nova regra de convivência quando se sabe, ela mesma, resgatada (lytron) por Deus, através da doação da vida de Jesus na cruz”.
Dados Bibliográficos:
Champlin, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: Vol. Dois: Lucas, João. 1ª. São Paulo, Ed. Hagnos – 2002.
GAEDE NETO, Rodolfo. A Diaconia de Jesus: Contribuição para a fundamentação teológica da diaconia na América Latina. São Leopoldo: Sinodal: CEBI; São Paulo: Paulus, 2001. Pg. 43-136.
Bíblia. Português. Nova Versão Internacional. Traduzido pela comissão de tradução da Sociedade Bíblica Internacional. São Paulo. Ed. Vida – 2002.

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